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segunda-feira, 16 de junho de 2014

Transplantes

Transplantes




Qual foi a verdadeira postura das 

Testemunhas de Jeová sobre os 

transplantes de órgãos?




Em seu incansável esforço por desacreditar às Testemunhas de Jeová e por transmitir uma má imagem delas, alguns inimigos religiosos utilizam uma acusação relacionada com a postura das mesmas com respeito aos transplantes entre 1967 e 1980.

Qual é esta acusação e qual é a realidade?

Vejamos antes um resumo cronológico do desenvolvimento da técnica dos transplantes, seus envolvimentos éticos e a
postura das Testemunhas de Jeová, tudo ao mesmo tempo, para ter uma visão global do assunto em seu verdadeiro contexto histórico e cultural à luz do que era entendido à época.





A bioética e os transplantes de órgãos surgem de forma quase simultânea e a história de ambas, ainda breve, discorre de forma quase paralela (segundo o Dr. Diego Garcia Guillén, da Universidade Complutense de Madri (http://www.iqb.es/historiamedicina/academia/gracia.htm). 
Assim, podemos dizer que a história dos transplantes de órgãos, sem contar alguns pequenos ensaios e avanços prévios, começa na década de 50 do século XX. De fato, o principal problema que debate a bioética naquela década é o da mutilação que exige a doação por parte de um sujeito vivo.

Na década de 50, as publicações das Testemunhas de Jeová nem sequer fizeram menção de uma técnica que estava ainda em seus primeiros passos e era pouco mais do que episódica. Foi em 1961 quando se fez uma breve menção do tema, no número de 1º de agosto da revista Watchtower (1º de fevereiro de 1962, pág. 96, na edição em português de A Sentinela), na seção 'Perguntas dos Leitores':

“Há alguma coisa na Bíblia contra a se doar os olhos (após a morte) para serem transplantados numa pessoa viva?"

"...Não parece haver nenhum princípio ou lei bíblica envolvida. É, portanto, algo que cada pessoa deve decidir por si mesma....”


Como vemos, não se apresenta objeção aos transplantes de tecido, ainda que não entra na polêmica em voga sobre a mutilação de doadores vivos para transplantes de órgãos.

A técnica dos transplantes ainda estava em fase experimental na década de 60, de maneira que, à medida que se foi resolvendo o problema ético da mutilação, o grande tema em debate desta década foi o da utilização dos transplantes em seres vivos com fins experimentais. De fato, o catedrático de anestesiología da Faculdade Médica de Harvard Henry Beecher, publicou em 16 de junho de 1966 seu famoso artigo denunciando uma extensa série de experimentos médicos eticamente questionáveis (Henry K. Beecher, “Ethics and Clinical Research”. New England Journal of Medicine, 1966; 274: 1354-60). Pouco depois, em 1967, apareceu um livro na mesma linha que não demoraria em fazer-se famoso: Human Guiné Pigs , do médico britânico M.H. Pappworth.

Por então, A Sentinela de 15 de novembro de 1967 (1 de junho de 1968, p. 349-351, em sua edição em português) abordou também o tema das doações de órgãos em seu artigo Perguntas dos Leitores: “Será que há alguma objeção bíblica a que se doe o corpo para uso na pesquisa médica ou que se aceitem órgãos para transplante de tal fonte?”. 

No referido artigo, além de abordar a questão da mutilação, diz-se:

“Aqueles que se submetem a tais operações vivem às custas da carne de outro humano. Isso é canibalesco. Não obstante, ao permitir que o homem comesse carne animal, Jeová Deus não deu permissão para os humanos tentarem perpetuar suas  vidas por receberem canibalescamente em seus corpos a carne humana, quer mastigada 
quer na forma de órgãos inteiros ou partes do corpo, retirados de outros.”

De maneira que, a posição da revista nesta data é claramente contrária aos transplantes. Sem dúvida, nesta postura influiu o artigo sobre “Canibalismo médico” da Encyclopœdia of Religion and Ethics (Enciclopédia de Religião e Ética), de James Hastings (veja-se o volume 3, página 199).


Dr. Christiaan Barnard (1922 - 2001) foi um cirurgião, pioneiro em realizar um transplante de coração, na África do Sul, em 1967.
Pouco depois, em dezembro de 1967, o Dr. Barnard realizou na África do Sul o primeiro transplante de coração com sucesso (o paciente viveu 18 dias, o qual se considerava um sucesso para uma terapia experimental de alto risco como eram então considerado os transplantes). Aquilo fez que se apertasse ainda mais a 
controvérsia, que se converteu numa acalorada polêmica nos meios de comunicação com críticas de grande dureza e agressividade. 




Enquanto a questão ética da experimentação se aproximasse da sua solução, surgiu um novo tema de debate sobre os transplantes que caracterizaria quase toda a década de 70: depois de um relatório da Universidade de Harvard sobre o coma irreversível, grupos alheios à medicina começaram a expressar sua preocupação para que os médicos definissem unilateralmente o momento da morte e, portanto, o momento em que podiam extirpar-se órgãos para experimentar em transplantes (Rothman, D. Strangers at the Bedside New York , 1991, Basic Books). Apareciam artigos na imprensa geral 
perguntando-se qual é o momento da morte (veja-se, por exemplo: Stevens, L. “When is Death?” Reader’s Digest, maio de 1969, págs. 225-232). Grupos religiosos e filosóficos queriam fazer ouvir sua voz, e os hospitais começaram a realizar reuniões entre clérigos e médicos sobre o tema da morte cerebral.

Durante aqueles anos (entre 1968 e 1975) houve algumas menções ocasionais e breves dos transplantes de órgãos nas revistas das Testemunhas de Jeová, todas elas expressando uma posição negativa, e geralmente citando obras e autores alheios às Testemunhas de Jeová (a última menção, no número de 1 de setembro de 1975 apareceu em português no número de 1 de março de 1976, p. 135).

A fase experimental dos transplantes dura até 1975; desde então, à medida que se solucionavam os problemas éticos e sobretudo os problemas técnicos, os transplantes entraram numa fase de consolidação que duraria até 1983.

Durante os primeiros anos desta fase, não há nenhuma alusão à técnica dos transplantes nas publicações das Testemunhas de Jeová. Até que no número do 15 de março de 1980 de A Sentinela (1 de setembro, p. 31, em sua edição em português) publicou-se outro artigo na seção Perguntas dos Leitores, que dizia:

“Deve a congregação tomar ação quando um cristão batizado aceita o transplante dum órgão humano, tal como a córnea ou um rim?"

"No que se refere ao transplante de tecido ou osso humano de um humano para outro, é um caso de decisão conscienciosa de cada uma das Testemunhas de Jeová.”


A novidade deste artigo é que não se expressam pontos de vista a favor e contra aos transplantes de órgãos e se especifica que cada um deve tomar sua decisão pessoal. Essa segue sendo a postura das Testemunhas de Jeová até o dia de hoje.

O valor imunosupressor de uma substância chamada ciclosporina  tinha sido descoberto em 1976, e então começaram uma série de experimentos para tratar de vencer o principal problema técnico dos transplantes, a rejeição. Os experimentos foram muito satisfatórios e finalmente se terminou aprovando oficialmente seu uso médico em 1983. Também, no final dos anos 70 e princípio dos 80, se chegou a uma solução satisfatória sobre o problema ético do momento exato da morte. Não é casual que as leis reguladoras sobre os transplantes começassem a aparecer em torno do ano 1980 (por exemplo, a lei espanhola sobre extração e transplante de órgãos é de 1979, e a norte-americana, de 1984). Assim, desde princípios dos anos 80, e especialmente desde 1983, os transplantes de órgãos deixaram de ser uma técnica experimental para passar a ser uma terapia médica. De fato, desde aquele ano e até os anos 90, muitas igrejas da cristandade e outras religiões começaram a emitir resoluções oficiais a favor dos transplantes de órgãos. Hoje é um procedimento médico aceito e de uso corrente.

Anos depois, opositores das Testemunhas de Jeová decidiram utilizar, entre suas muitas acusações, para escandalizar a opinião pública, algumas acusações relativas aos transplantes. Em que consistem estas acusações?

Afirmou-se que muitas Testemunhas recusaram esta terapia sob ameaça de expulsão apresentando o assunto como uma postura suicida ante uma terapia segura que salvava vidas. Para adicionar um efeito dramático, alguns chegaram a afirmar que muitas Testemunhas morreram por esta postura. Foi dito que em 1980 deixou de se expulsar às Testemunhas que 
aceitavam transplantes e não se pediu perdão pelos que supostamente tinham sido expulsos ou tinham morrido devido à postura anterior.

A profundidade desta acusação é tratar de equiparar aquela situação à de nossa rejeição às transfusões de sangue. Tratam de apresentar um pretexto  “histórico” de ensinos anticientíficos contra os progressos médicos para tentar dar a impressão de que nossa postura bíblica com respeito ao sangue é só mais um ensino fanático que inclusive poderia mudar no futuro.

Talvez as pessoas mais informadas não precisem seguir lendo para saber do que tais acusações são absurdas, mas a seguir trataremos separadamente três aspectos desta acusação:

Por um lado, se é verdadeiro ou não que havia ameaça de expulsão, assim como qual era a postura de outras religiões. Em segundo lugar, se recusar um transplante naqueles anos era realmente uma questão de vida ou morte. E, por último, se é verdadeiro que houve Testemunhas que foram expulsas ou morreram devido a este assunto.


Era expulso quem não recusasse os transplantes de órgãos?

Como já mencionamos na primeira seção deste artigo, no número do 15 de novembro de 1967 de A Sentinela (1 de junho de 1968, p. 351, em português), apresentava-se um ponto de vista negativo sobre esta questão. Mas, se apresentava como uma proibição categórica, sob pena de expulsão?  

O mesmo artigo dizia, em sua parte final:

“Deve ficar bem evidente, por meio desta consideração, que os cristãos que têm sido esclarecidos pela Palavra de Deus não precisam fazer tais decisões apenas à base dos caprichos ou das emoções pessoais. Podem considerar os princípios divinos registrados nas Escrituras e usá-los em fazer decisões pessoais à medida que se voltam para Deus em busca de orientação, confiando nele e depositando fé no futuro que ele tem em reserva para aqueles que o amam.”

De maneira que, ainda que a postura expressa no artigo é claramente contrária aos transplantes, especifica-se que se trata de uma decisão pessoal e não se faz nenhuma menção de medidas disciplinares, como pode ser comprovado.

Para ver o assunto mais claramente, contrastemos com a questão das transfusões de sangue. Expressou-se pela primeira vez a ideia de que tal terapia ia contra a lei divina sobre a santidade do sangue em 1945, no entanto, não foi até 1961 que se especificou que o assunto era de suficiente gravidade para se expulsar das congregações a quem passasse por alto este requisito divino e manifestasse uma atitude impenitente.

Sucedeu o mesmo com os transplantes? Depois do artigo de 1967, se mencionou em alguma publicação posterior que aceitar um transplante era um assunto de suficiente gravidade como para expulsar a quem o fizesse e não se arrependesse disso?

Em 1968 se publicou o livro "A Verdade que Conduz a Vida Eterna", um manual que menciona os ensinos fundamentais das Testemunhas de Jeová para estudar com as pessoas interessadas. Este livro considera em profundidade o assunto da santidade do sangue, mas nem sequer se menciona o assunto dos transplantes de órgãos!

Ademais, os candidatos ao batismo, assim como hoje, deviam examinar e aceitar as doutrinas bíblicas fundamentais das Testemunhas de Jeová antes de seu batismo, pelo qual se utilizavam perguntas impressas publicadas nos livros "Lâmpada Para o Meu Pé É a Tua Palavra" (publicado em 1967, em 1968 em português) 
e "Organização para Pregar o Reino e Fazer Discípulos" (1972). Entre estas perguntas se consideravam as normas morais das Testemunhas de Jeová, incluída nossa postura sobre as transfusões de sangue. No entanto naqueles livros não se dizia absolutamente nada sobre os transplantes de órgãos.

Portanto, a evidência indica que, nada havia nas publicações das Testemunhas que se mostrasse posturas negativas sobre os transplantes desde 1967 até 1975, e que não se expulsava a ninguém por este assunto.

Por outro lado, foram as Testemunhas de Jeová um caso excepcional por expressar um ponto de vista negativo com respeito aos transplantes? Deixando à margem opiniões médicas contrárias da época, dado que a religião aborda questões éticas, muito com frequência costuma-se questionar os avanços científicos (um exemplo atual o temos no caso da investigação sobre células-tronco). Como já mencionamos, os experimentos sobre transplantes suscitaram uma grande polêmica, especialmente no final dos anos 60, e nela os setores religiosos tiveram um papel destacado.

Igrejas, como a Católica, por exemplo, apresentaram no passado sérias objeções à técnica do homotransplante, ou transplante entre seres da mesma espécie (E. Chiavacci, Morale della vita fisica, EDB, Bologna, 1976, pp. 64-81). 
Em seu livro "Problemi dei etica sanitária" (Problemas de ética sanitária, 1992; Ancora, Milano, pág. 189), o jesuíta Giacomo Perico reconhece que até não faz muito tempo, os transplantes propunham "ainda sérias reservas de caráter moral” para os católicos. O mesmo pode dizer-se de outras religiões. Por exemplo, não foi até 1987-88 que o judaísmo se expressou oficialmente de forma favorável com respeito aos transplantes (veja-se, por exemplo, Alfredo Mordechai 
Rabello, "Donazione dei organi. Comunicato dell’Assemblea dei Rabbini d’Itália", Tem Keillah, junho de 2000, págs. 12-13; Riccardo Dei Segni, "Il ponto dei vista dell’ebraismo", em "A donazione e il trapianto dei organi e dei tessuti", Ponto 
Omega, dezembro de 2000 [anno II, n. 4], pág. 34).

O Conselho Religioso Muçulmano recusou a doação de órgãos numa data tão tardia como 1983, ainda que mais tarde mudou completamente sua posição e agora se aceita.

O povo cigano não tem uma religião própria, mas suas crenças tradicionais tendem a opor-se à doação ainda hoje em dia, pois pensam que o corpo deve permanecer intacto durante um ano depois da morte.

No Xintoísmo, a religião tradicional do Japão, costuma considerar-se um grave crime mutilar um corpo morto, segundo E. Narnihira em seu artigo "Shinto Concept Concerning the Dead Human Body" (“O Conceito Xintoísta Sobre o Corpo Humano Morto”). No mesmo artigo, adiciona: "Até o dia de hoje, é difícil obter o consentimento das famílias que perderam a um ser 
querido para fazer uma doação ou uma dissecação”.

Por conseguinte, muitos grupos religiosos se opuseram em algum momento aos transplantes e a maioria mudou seu ponto de vista com o tempo, como sucedeu com as Testemunhas de Jeová. Ainda que, como também vimos, as Testemunhas de Jeová nunca foram obrigados a aceitar tal postura sob ameaça de expulsão.


Era aceitar um transplante uma questão de vida ou morte?

Apresentar a rejeição das Testemunhas de Jeová (ou de qualquer outro grupo) para os transplantes nos anos 60 e 70 como uma postura suicida é um sério erro de perspectiva histórica. Como já se mostrou, até 1975 os transplantes se encontravam ainda em fase experimental, e por tanto eram intervenções de alto risco.  Um médico tratou o assunto de se era ético utilizar uma técnica tão arriscada em Annals of Internal Medicine, citando 
os resultados de 244 operações de transplante de rim; na maioria dos casos, o receptor faleceu antes de decorrer um ano. 
Depois, comentando sobre os perigos para o voluntário que doa um de seus rins, o doutor perguntava: “Está bem submeter a uma pessoa sã (…) à possibilidade (…) de encurtar a duração de sua vida em 25 ou 30 anos para alongar a vida de outra pessoa 25 ou 30 meses, ou menos?” A revista Newsweek de 2 de março de 1964, pág. 74, diz que o doutor “não oferece nenhuma resposta concludente, senão que sugere que a pergunta deveria propor-se mais com frequência.”

Ainda no final dos anos 60, o transplante de rim, que era um dos que mais avanços tinham experimentado, tinha uns resultados tão limitados, que entre um 30 e um 40% dos transplantados faleciam durante o primeiro ano, e a percentagem de rins funcionantes ao ano do transplante era muito baixo. 
Inclusive entrando na segunda metade dos anos 70, superada já a fase experimental, o risco de rejeição ao transplante de rim era de entre 15 e 20%. A situação era ainda pior no caso de outros tipos de transplante mais complexos.  

Em 1963, Thomas Starzl realizou o primeiro transplante de fígado entre humanos, a um menino de três anos que sobreviveu cinco horas. Como se disse antes, em 1967 se considerou um sucesso que o primeiro receptor de um transplante de coração sobrevivesse 18 dias à operação. Em 1968 se praticaram 107 transplantes de coração no mundo, mas só 22% sobreviveu ao primeiro ano. Em 1978, o doutor Frank J. Veith publicou um trabalho no que recompila os resultados de 38 pacientes de transplantes de pulmão em 20 anos, dos quais só 2 sobreviveram a médio prazo (1 a 6 meses); os demais morreram cedo. Só 12 sobreviveram mais de 2 semanas.

O principal problema dos transplantes é a rejeição do organismo receptor a um corpo estranho, e os potentes medicamentos que se empregavam para suprimir a rejeição eram precisamente os que provocavam sérias infecções que levavam em muitos casos à morte do paciente. Como se explicou na introdução, foi em 1976 quando se descobriu o valor imunosupressor da ciclosporina e depois de vários experimentos se aprovou seu uso médico em 1983, o que causou uma revolução no uso dos transplantes. Sirvam estas cifras como exemplo para mostrar que na época em que as publicações das Testemunhas de Jeová se expressavam contra os transplantes, estes não eram senão experimentos médicos de alto risco, e não a terapia relativamente segura e eficaz que é hoje em dia.

Há casos reais de Testemunhas expulsas ou mortas por esta questão?

Pese ao risco que supunham naqueles anos os transplantes de órgãos, pese a ser uma terapia experimental que se realizava em contadas ocasiões e pese a que as Testemunhas de Jeová por então mal contavam com um milhão de membros em todo mundo, alguns detratores não duvidam em suas campanhas de desinformação em afirmar que muitas Testemunhas de Jeová morreram prematuramente ou foram expulsos por esta postura 
contrária aos transplantes.

Se isto fosse verdadeiro, seria fácil apresentar evidências, pois falamos de anos relativamente recentes, e sem dúvida muitos ex-Testemunhas ressentidas estariam encantados em apresentar seus depoimentos. Mas, é realmente o caso?

Numa palavra: Não! Os detratores não podem apresentar praticamente nenhum caso, e os poucos que apresentam, ao analisar-se, resultam ser situações muito diferentes ao que se pretende fazer ver.

Em primeiro lugar, diz-se que um ancião dos Estados Unidos chamado Arvid Einar Moody desenvolveu uma doença renal, pelo que começou um tratamento de diálise, enquanto, devido à postura negativa expressada na revista Sentinela, recusou a idéia de fazer-se um transplante (não se especifica se algum médico o recomendou ou tão somente foi uma ideia que cruzou sua mente). Depois de vários anos de diálise, morreu em 1978, à idade de quase 68 anos.

O relato é narrado por sua filha, uma tal Debbie Shard, atualmente ex-Testemunha de Jeová e opositora ativa de sua anterior religião. Ainda supondo que sua beligerância não tenha influído em sua apresentação dos fatos, devemos ter em conta o verdadeiro contexto histórico da situação: por um lado, o transplante renal era ainda uma terapia de alto risco (mais de uma terça parte dos pacientes morriam antes de um ano), enquanto se reconhece que o Sr. Moody sobreviveu vários anos obrigado à diálise. Por outro lado, como se mostrou também, não existia uma pena de expulsão que influísse para tomar uma decisão ao respeito.

Também se diz que uma Testemunha de Jeová chamada Delores Busselmann morreu em 1971 depois de recusar um transplante. O relato, apresentado por seu marido, quem hoje é também um ativo opositor das Testemunhas de Jeová, não apresenta o assunto em sua verdadeira perspectiva. Delores Bussellmann padecia de leucemia, e se lhe recomendou um transplante de medula óssea. Há ao menos dois aspectos muito importantes que ter em conta: o primeiro, que os transplantes de medula óssea eram também uma técnica experimental e arriscada. Em 1968 se tinha conseguido realizar um transplante de medula entre dois gêmeos idênticos, pois a compatibilidade é maior. Não foi até 1973 (dois anos depois do falecimento da Sra. Busselmann) que se realizou nos Estados Unidos o primeiro transplante de medula óssea em que o doador e o receptor não eram gêmeos. E não foi até 1979 que se realizou o primeiro transplante a uma paciente enferma de leucemia (que morreu dois anos depois). De maneira que, tendo em 
conta o grau de avanço em que se encontrava a terapia dos transplantes de medula óssea em 1971, é mais do que duvidoso que nenhum médico oferecesse muitas garantias para o que não tivesse sido mais do que um experimento médico.

Mas ainda mais importante é o fato de do que um tipo de transplante tão peculiar como o de medula óssea exigia de forma praticamente inevitável, abundantes transfusões de sangue. De maneira que ao final, se damos crédito ao relato, a questão tem mais do que ver com a postura bíblica de respeito à santidade do sangue, que com a rejeição aos transplantes.

Outro caso que se chegou a utilizar é o de um jovem cuja experiência se publicou no número do 15 de maio de 1970 de A Sentinela. Neste caso nem sequer se trata de alguém que falecesse, senão de alguém que relata sua experiência depois de recuperar-se. A questão a que enfrentou esta pessoa não foi a dos transplantes, senão a das transfusões de sangue, ainda que em certo momento de seu relato, os médicos lhe perguntam se estaria disposto a doar um rim. Precisamente, sua reação é um bom exemplo da diferença que era a postura das Testemunhas de Jeová com respeito às transfusões de sangue e com respeito aos transplantes de órgãos. Quando se lhe oferecem duas possíveis intervenções, uma que incluía transfusões e outra que não, o paciente elege a opção sem transfusões. Mas quando se lhe pergunta se daria seu consentimento para doar um rim, esta foi sua reação:

"Disse-lhe que ele receberia uma resposta franca e cabal a sua pergunta depois que eu considerasse com minha família o que a Palavra de Deus dizia sobre aquela questão”.

Não foi até o dia seguinte que lhe respondeu de forma negativa. Isto ilustra claramente que a questão dos transplantes não era comparável à das transfusões de sangue. Os transplantes não estavam proibidos categoricamente, senão as Testemunhas de Jeová não deveriam tomar sua decisão pessoalmente (ou conferindo com sua família, como no caso deste jovem).

Conclusão

Em resumo, ainda que seja verdadeiro que as publicações das Testemunhas de Jeová expressaram uma postura negativa com respeito aos transplantes, temos visto que não há evidência ou atestado médico de nenhuma Testemunha que morresse diretamente por recusar um transplante (e muito menos de “muitas Testemunhas”); temos visto que não foi uma postura fanática nem suicida, pois naqueles anos os transplantes não eram senão experimentos científicos de alto risco; temos visto que por então era uma questão polêmica e que outros grupos religiosos e inclusive médicos estavam na contramão; temos visto que não se tomava nenhuma medida disciplinar contra as Testemunhas que não recusassem os transplantes.

Fato: A acusação lançada por opositores das Testemunhas de Jeová contém alguma verdade, misturada com várias mentiras numa profundidade muita enganosa, com uma perspectiva histórica absolutamente distorcida.

O paralelismo que se pretende criar entre aquela postura sobre os transplantes e nossa 
postura sobre as transfusões é descabida e falaciosa!

Portanto, a acusação não passa de falácia tendenciosa e fora de todo um contexto histórico!

sábado, 23 de novembro de 2013

Como atuam as Testemunhas de Jeová diante do abuso sexual de menores?




Depois de diversos escândalos envolvendo líderes católicos e evangélicos em relação ao abuso sexual de menores, alguns tem levantado acusações parecidas contra as Testemunhas de Jeová. 


Qual é a atitude das Testemunhas de Jeová diante da pedofilia? Qual é a forma de atuar das Testemunhas de Jeová com respeito a esse problema?

A pedofilia ou abuso sexual de menores é repugnante para as Testemunhas de Jeová. Pelo menos desde 1981, nossas revistas vêm apresentando artigos para educar as Testemunhas e ao público em geral sobre a importância de proteger as crianças. Por exemplo, A Sentinela de 01/01/1997, 
também 01/05/1984, bem como a revista Despertai! de 02/10/1993, 22/08/1985 e também a de 08/10/1984. O livro recentemente lançado, Aprenda do Grande Instrutor, cap. 32, pg. 170, também vem alertando ao perigo.

O procedimento que se segue no caso em que se há alguma acusação é a seguinte: dois anciãos da 
congregação se reúnem a sós com o acusado e depois com o acusador para se contrastar suas versões do assunto. Se o acusado nega as acusações, fazem-se arranjos para falar com o acusado e o acusador juntos na presença de ambos os anciãos, dependendo de cada caso. Se o acusado continuar negando as acusações e não há mais testemunhas, os anciãos não podem tomar uma ação, pois a Bíblia explica que todo o assunto deve estabelecer-se com duas testemunhas (veja Deuteronômio 19:15, também Mateus 18:15-17).

Contudo, quando se informa à filial da dita alegação de abuso sexual de menores, uma consulta dos registros pode revelar que essa mesma pessoa foi acusada noutro tempo de algo parecido sem que se pudesse provar (talvez quando vivia em outra parte do país).

Quando existe uma acusação de outra pessoa diferente contra o mesmo indivíduo, os anciãos estão autorizados biblicamente a tomar ação. Mas se não puderem, devem informar a filial de seu país de tal acusação, se se permitem as leis locais de proteção de dados. Se as ditas leis o permitem, se leva um registro a filial dos indivíduos que tenham sido acusados de abuso. Cada filial tem seus próprios registros, não tem registros de outros países. Se as leis de proteção de dados não permitem colher registros, os anciãos fazem o que estiver permitido dentro da lei 
para encarregarem-se de que as crianças estejam protegidas. O objetivo é equilibrar o direito à intimidade do indivíduo com a necessidade de proteger a segurança dos filhos (1 Timóteo 5:19).

Pode ser que a própria vítima queira informar às autoridades, e está em seu direito. As obrigações a esse respeito variam de país para país, e os departamentos legais das filiais se 
esforçam por manterem-se em dia com essas obrigações.

Se em um confronto com a vítima, o acusado confessar ser culpado de abuso sexual, os anciãos devem tomar a ação pertinente.  Se não há arrependimento, não se lhe permite seguir sendo membro da congregação. Se se arrepende (se tem um coração sinceramente arrependido e está totalmente resolvido a evitar tal conduta no futuro), então se aplica o que foi expresso na revista A Sentinela de 1º de janeiro de 1997: Essa pessoa não mais se qualifica para ocupar um cargo de responsabilidade na congregação, nem para ser pioneiro (evangelizador por tempo integral) e nem para prestar nenhum tipo de serviço especial de tempo integral (1 Timóteo 3:2, 7-10). Esta ação é tomada porque as Testemunhas de Jeová se preocupam em manter as normas bíblicas e proteger as crianças. Todo membro deve cumprir os mesmos requisitos: manter a limpeza em sentido físico, mental, moral e espiritual (2 Coríntios 7:1; Efésios 4:17-19; 1 Tessalonicenses 2:4).

Em casos muito raros, indivíduos acusados de algum ato de abuso sexual de menores têm sido nomeados para ocupar posições na congregação se a sua conduta tem sido exemplar durante décadas. Tem que se analisar todas as circunstâncias cuidadosamente. Suponhamos, por exemplo, que há alguns anos um jovem de 21 anos teve relações sexuais de mútuo acordo com uma jovem menor de 18 anos. Em determinados países, os anciãos estão obrigados a informar isto como um incidente de abuso de menores. No Brasil, isso não é obrigatório. Supondo-se que já tenham passado vinte anos desde então. A lei de informação do abuso pode ter mudado; pode 
até ser que o jovem se tenha casado com a moça! Os dois têm levado vidas exemplares e são respeitados. Em tal caso extremo, o homem possivelmente poderia ser nomeado para um cargo de responsabilidade na congregação. Os procedimentos se têm refinado ao longo dos tempos. Nossa norma nos últimos anos tem sido que deve ter passado pelo menos vinte anos antes que se possa recomendar a alguém que tenha cometido abusos (se é que se recomenda). 
A Bíblia ensina que as pessoas podem se arrepender e se voltarem a Deus fazendo obras que mostram arrependimento, e as Testemunhas aceitam o que a Bíblia diz (Atos 26:20). 

Mas a segurança de nossos filhos e crianças é de máxima importância, e sendo assim, os anciãos devem ser muito cuidadosos ao recomendar a indivíduos que possam ter sido acusadas no passado distante.

Também se tem dito que nos escritórios centrais da Sociedade Torre de Vigia (em Brooklyn, Nova Iorque) há uma lista de 23.720 nomes de molestadores sexuais. Não é verdade. Em primeiro lugar, o número total de nomes em tais registros é consideravelmente inferior. Além disso, não é significativo concentrar-se em quantidade, pois essas cifras incluem nomes de muitas pessoas que simplesmente tem sido acusadas, mas cuja acusação não tem sido provada. Mantém-se esses registros para documentar nossa conformidade com o que a lei requer em muitas jurisdições dos EUA. Também se incluem na lista alegações baseadas nas chamadas "lembranças reprimidas", cuja validez muitas autoridades põem em dúvida. Também estão os nomes de pessoas que tem sido acusadas de abuso antes de se tornarem Testemunhas de Jeová, assim como de indivíduos que nunca tenham sido Testemunhas, mas cujos nomes estamos obrigados a manter devido a sua associação com as Testemunhas de Jeová (por exemplo, talvez um pai ou padrasto não-Testemunha acusado por seu filho/a ou enteado/a Testemunha). 
Para maior segurança, se inclui também os nomes de pessoas que podem ter sido considerados molestadores ou não, dependendo da jurisdição onde vivam (por exemplo, o caso deste jovem de 21 anos que tem relações sexuais com uma jovem menor de 18 anos). O nome de indivíduos acusados de voyeurismo ou envolvidos em pornografia infantil, e exemplos similares, também se incluiriam na lista.

Não nos justificamos por manter tais registros nos Estados Unidos. Apesar de serem necessários legalmente, nos tem sido muito úteis em nossos esforços de proteger o rebanho (Isaías 32:2). Os pais cristãos podem se sentir seguros sabendo que se fazem tais esforços para evitar a designação de possíveis molestadores para cargos de responsabilidade na congregação. Ademais, qualquer pessoa que ocupe um cargo de responsabilidade e que seja acusada de abusos sexuais, seria 
removido de seu cargo sem demora. Certamente, nunca seria transferido para poder servir em outro lugar.

Não cremos que nosso sistema seja perfeito. Nenhuma organização humana é perfeita. 
Mas cremos sim que temos procedimentos fortes e baseados na Bíblia com respeito ao abuso sexual de menores. 

Raymond Franz - Crítica ao livro

Raymond Franz - Crítica ao livro



Críticas ao livro "Crise de Consciência"











Fazendo uma análise básica e resumida do livro "Crise de Consciência", alguns observadores concluíram que ele apresenta dados basicamente já conhecidos e alguns pensamentos bem-fundamentados, mas que os embaralha com diversas afirmações não-verificáveis e conclusões improcedentes. 


Por exemplo, seus críticos questionam: “Que prova há de que a "regra dos 2/3" realmente existiu? E se realmente existiu, que prova há de que realmente funcionava como ele apresentou? Só temos a palavra de Raymond Franz.” Entretanto, esta e outras afirmações são tomadas por críticos das Testemunhas de Jeová como indubitavelmente comprovadas, a mesma atitude que Raymond Franz atribui às Testemunhas.

Observadores deste autor apontam que, de modo geral, Raymond Franz demonstrou:



(1) A tendência psicológica de escolher interpretar negativamente as palavras e ações dos outros. Por exemplo, se você pergunta para uma pessoa há quanto tempo faz um trabalho e ela responde algo como "um ano e nove meses", essa resposta pode lembrar a reação de um presidiário, mas também pode lembrar o entusiasmo de um apaixonado. O que falamos sobre outras pessoas revela mais a respeito de nós mesmos do que a respeito delas, pois nós projetamos nos outros aquilo que há no nosso coração.

O próprio Raymond Franz admite que por muito tempo não estudava a fundo a Bíblia, que idealizava a Sociedade e que era dedicado à organização e não a Deus e a Jesus, mas dá a entender que isso se aplica a todas as Testemunhas de Jeová, projetando suas falhas em milhões de indivíduos únicos e diferentes dele. Porém, a maioria das Testemunhas de Jeová não se encaixa neste estereótipo. Se desde o princípio Raymond Franz tivesse (1) sempre estudado e meditado nas Escrituras e compreendido que o entendimento é progressivo, (2) encarado equilibradamente os que tomam a dianteira como humanos íntegros, mas imperfeitos e (3) se dedicado a Deus e a Jesus e visto a congregação [igreja, organização] como um meio, um instrumento através do qual servia a Deus e a Jesus e não o alvo de sua dedicação, ele não teria passado por nenhuma "crise de consciência".



(2) A tendência de não apresentar alternativas positivas. Nada se constroi apenas apontando supostos erros do passado e declarando o que não devemos fazer. O que Raymond Franz sugere que os cristãos façam de positivo daqui em diante? Devemos fechar todas as nossas organizações religiosas (incluindo as sociedades bíblicas que imprimem e distribuem a Bíblia)? Devemos nos limitar a uma união mística e não ter absolutamente nenhum tipo de sistema formalmente organizado para coordenar nossos empenhos e maximizar nossos resultados e absolutamente ninguém desempenhando a função de coordenador e de instrutor para o benefício de todos?

São essas conclusões que parecem ser subentendidas, mas não declaradas. Entretanto, observadores apontam que muitos ávidos leitores de Raymond Franz pertencem a organizações religiosas nas quais também houve e há erros e problemas, embora sejam outros. Estes também esquecem-se que as editoras que publicam os livros dele também são organizações. Todas estas organizações também devem ser erradicadas? Seus leitores aceitariam a extinção das suas organizações? Outra observação é que diversos leitores de Raymond Franz pesquisam seus livros para poder apontar os supostos erros das Testemunhas de Jeová, em vez de fazer uma auto-análise pessoal e também analisar e corrigir suas próprias organizações como o autor sugere.
Também parece contraditório Raymond Franz falar contra o conceito de organização religiosa, mas ter como fonte de renda a venda de livros publicados por organizações (as editoras) e comprados por devotos membros de organizações religiosas. Os críticos de Franz arrazoam que, se a Associação Torre de Vigia é uma “Igreja Católica" e Raymond Franz é um “Lutero", “Calvino", etc., então ele deveria pregar suas "95 teses", ir para sua “Genebra". Entretanto, ele se limita a apontar supostos problemas e erros, mas "tem tornado óbvio em várias ocasiões o seu desinteresse em formar qualquer tipo de 'nova organização' religiosa e nem qualquer interesse em pertencer novamente a um sistema religioso". Essa recusa é reveladora de sua atitude. Mohandas Gandhi fez uma lista do que chamou de "os sete erros capitais no mundo", entre eles "conhecimento sem caráter" e "adoração sem sacrifício"; mais tarde seu neto Arun Gandhi acrescentou um oitavo erro: "direitos [liberdades] sem responsabilidades". Infelizmente, muitos estão 'em 
busca da liberdade cristã', mas não querem a responsabilidade cristã.
Muitos observadores reconhecem os tipos de problemas que Raymond Franz aponta nas religiões organizadas. Entretanto, concluem que a causa do problema não é o fato de estarem organizadas e sim o afastamento dos princípios bíblicos. Problemas sempre existirão enquanto o ser humano for imperfeito, com ou sem organização. Mas os cristãos precisam se organizar de alguma forma para poderem cuidar bem uns dos outros e cumprir com eficácia máxima sua grande comissão. Portanto, a solução não é dissolver toda organização religiosa, mas sim promover constantemente ajustes e reajustes bíblicos conceituais e organizacionais.

(3) A tendência a uma postura reativa. A impressão é que a maior parte do tempo Raymond Franz se limitou por décadas a ficar remoendo os supostos erros e negligências dos outros. Poderia ter exercido sua consciência e imaginação para escolher uma reação mais construtiva: ter iniciativas positivas em palavras e ações, concentrar-se naquilo que podia mudar, aceitar serenamente a realidade atual da época e ao mesmo tempo visualizar uma realidade melhor, mudar primeiro a si mesmo antes de querer mudar os outros para se tornar uma influência positiva e aumentá-la gradualmente de modo a contribuir ativamente para a melhoria. Em resumo, faltou a Raymond Franz a decisão consciente e esclarecida de ser um modelo e não um juiz, ser parte da solução e não do problema.
Com isso, Raymond Franz perdeu uma oportunidade extraordinária de exercer uma influência positiva sobre as Testemunhas de Jeová e inúmeras outras pessoas através de um bom exemplo e ensino. Poderia ter servido como um grande instrumento de Deus. Mas escolheu nutrir uma atitude negativista e reativa. É exatamente o oposto do que devemos ser e do exemplo e ensino de Jesus.
Esses observadores contrastam essa atitude com a de seu tio Fred Franz, que exerceu com paciência sua influência positiva e contribuiu ativamente para melhorias graduais que corrigiram diversas das falhas reais apontadas por Raymond Franz (falhas irreais só podem ser resolvidas com o reconhecimento de que elas não existem fora da nossa percepção). Fred Franz acreditava que um maior entendimento bíblico com o tempo levaria a aprimoramentos conceituais e organizacionais.
Observadores também apontam que foi justamente por esta percepção que Fred Franz colocou seu sobrinho no importante projeto da enciclopédia bíblica “Ajuda ao Entendimento da Bíblia” e depois na estratégica Comissão de Redação. Fred Franz valorizava a Bíblia, queria aumentar o entendimento bíblico das Testemunhas de Jeová em geral (incluindo o de seu sobrinho) e acreditava no potencial de Raymond Franz. Segundo eles, infelizmente, Raymond Franz não entendeu este princípio e acabou fazendo o oposto do que seu tio esperava. Talvez posteriormente ele até mesmo pudesse ser o presidente da Associação Torre de Vigia e estar influenciando grandemente as Testemunhas de Jeová. Assim, Raymond Franz teve uma oportunidade única e grandiosa de promover ajustes conceituais e organizacionais entre as Testemunhas de Jeová e a desperdiçou. Estes ajustes acabaram sendo feitos sem ele e os problemas que alega que o incomodavam tanto (como a excessiva centralização) já foram resolvidos e outros serão feitos gradualmente. (Sobre 
esse assunto, veja A Sentinela de 15 de janeiro de 2001, pp. 28-31, em especial o quadro na pág. 31 intitulado “Um Anúncio Especial”)
Assim, a conclusão a que muitos chegaram é que o livro "Crise de Consciência" selecionou e interpretou informações de modo a apresentar uma visão fortemente enviesada e negativa das Testemunhas de Jeová que está em desarmonia com o que aconteceu e acontece efetivamente neste grupo religioso, refletindo a atitude negativa geral e a compreensão limitada de Raymond Franz sobre como a vida funciona e como aplicar os princípios bíblicos com sabedoria.

Torre de Vigia e a ONU

Torre de Vigia e a ONU




Sociedade Torre de Vigia e a ONU - O outro lado




O que de fato aconteceu? 




Em 1991, uma das entidades legais das Testemunhas de Jeová (Watchtower Bible and Tract Society of New York) registrou-se no DIP (Departamento de Informação Pública) das Nações Unidas como ONG (Organização Não Governamental), com o intuito de obter acesso ao amplo sistema de bibliotecas da ONU. Isto possibilitaria que os redatores das revistas e livros publicados pela Watchtower recebessem um cartão de identificação para ter acesso a tais bibliotecas de pesquisas e se utilizassem de informações para escreverem artigos. Isso nunca foi segredo. 

Na época em que isso foi feito não se requereu firmar nenhum formulário. Anos depois, sem que a junta desta entidade da Watchtower tomasse conhecimento, a ONU mudou alguns critérios de associação, estipulando que as ONG´s afiliadas deviam apoiar os objetivos da ONU. 

Quando esta informação foi conhecida pela Watchtower, esta imediatamente 
cancelou sua inscrição como ONG e devolveu o cartão de identificação. 



Que acusações existem a esse respeito? 

1- Afirmam que as Testemunhas identificam a ONU como "a coisa repugnante" que não se deve tocar e neste caso a Watchtower caiu em contradição ao se registrar como membro da ONU. 

2-Dizem também que os critérios para se registrar como ONG são os mesmos desde 1968. 

3- Afirmam que não seria necessário se obter esse cartão para ter acesso as bibliotecas da ONU visto que esta possui públicas espalhadas em todo o mundo e que qualquer um pode acessar. 
Será que a Watchtower caiu em contradição? 



Será que a Watchtower caiu em contradição?


O que as Testemunhas criticam energicamente é que se considere a ONU como expressão do Reino de Deus aqui na Terra e como última esperança de paz para a Humanidade, " A verdadeira paz e segurança virá somente pela vontade de Deus, e do modo dele: por meio do seu Reino, e não por meio da ONU". (Despertai!, 08/07/1996, p.25). É contraditório com as crenças das Testemunhas que eles tenham quaisquer relacionamento com órgãos governamentais? 
Será que a Bíblia é contraditória ao dizer que o mundo está em poder do Diabo (João 14:30, 1 João 5:19) e ao mesmo tempo instar aos cristãos que sejam obedientes aos governos? (Romanos 13:17, 1 Pedro 2:13,14). Isto não é nenhuma contradição nem mostrava hipocrisia da parte dos apóstolos. A Bíblia também explica que embora o Diabo controle este mundo e até os governos de alguma maneira, Deus permite que estes governos existam para impor a ordem e trazer alguns benefícios para as pessoas, razões pelas quais os cristãos devem respeita-los (Romanos 13:1-7). 

As Testemunhas de Jeová se tem registrado de forma legal em muitos governos em toda a Terra. Muitas Testemunhas assinam documentos afirmando que respeitarão a constituição e as leis do país, pois não há conflito cristão em se acatar tais princípios destes governos. Os princípios e objetivos expressos na carta da ONU são: "manter a paz e segurança internacionais, suprimir atos de agressão que ameacem a Paz mundial, estimular as relações amistosas entre as nações, proteger as liberdades fundamentais de todos os povos, sem discriminação de raça, sexo, idioma e religião, e cooperar internacionalmente para a solução de problemas sociais, econômicos e culturais."

Nessa declaração de princípios não há nada que viole nossas crenças cristãs. A Sociedade já havia classificado anteriormente os objetivos da ONU de "nobres". Ademais, não há conflito entre o propósito da Watchtower e a permissão que a Carta da ONU concede as nações para tomar ação militar. 

A Bíblia indica claramente que Deus mesmo deu a esses governos autoridade para "levar a espada" (Rom. 13:4) e nós não negamos essa autoridade apesar de recusarmos a participar em guerras (Mat. 26:52). Para defender outras Testemunhas a Watchtower tem recorrido ao Tribunal Europeu, baseando-se na Declaração dos Direitos Humanos da ONU (http://www.jwmedia.org/rights/european_court.htm). Podemos compartilhar os ideais da ONU sem promovê-la como substituta ao Reino de Deus, usá-la para promover a liberdade religiosa e os direitos humanos, sem nos unirmos a ela. Deve-se notar também que os membros das Nações Unidas, como o nome já diz, são Nações. As ONG´s registradas não são realmente membros. No site da ONU diz: "Importante: A associação de uma ONG ao DPI , não constitui sua incorporação ao Sistema de Nações Unidas." (veja http://www.un.org/spanish/aboutun/ONGs/brochure.htm) 


São os critérios de associação os mesmos de 1968? 

Se é certo ou não que os atuais critérios existiam desde 1968, a verdade é que em 1991 não foram colocados em prática. Não foi dado a Sociedade nenhum documento que fosse de encontro as suas crenças. Foi apenas em 1994 que começou a ser divulgada essa nova ideia de alterar os requisitos oficiais para participar como ONG. Um folheto da ONU de 1994, pág. 6 disse: "Está criando agora uma nova relação entre a ONU e as ONG´s . Nós temos visto este novo relacionamento amadurecer. As ONG´s estão tomando novas responsabilidades" . Logo depois surgiram os atuais critérios de associação como ONG que descrevem o trabalho delas com uma linguagem que as Testemunhas claramente não concordam, incentivando a participação política, apoiando o sistema da ONU, etc. Num comunicado mais recente a ONU oficializa essa mudança nos critérios de associação e no relacionamento com as ONG´s, note este trecho: 

"Mais recentemente, em julho de 1996 depois de 3 anos de negociações o ECOSOC (Conselho Econômico e Social) , revisou suas regras para as consultas com as ONG´s(...) Um segundo resultado (...) foi a decisão 1996/297 que recomendou que a Assembléia examinará em sua 51ª sessão. A QUESTÃO DA PARTICIPAÇÃO DAS ONG´S EM TODAS AS ÁREAS DE TRABALHO DA ONU(...) Como conseqüência, no grupo especial de trabalho da Assembleia Geral, BUSCANDO O FORTALECIMENTO DA ONU, se formou um subgrupo de ONG´s." (http://www.un.org/spanish/aboutun/ONGs/brochure.htm) Esta citação confirma o que a Sociedade tem dito: depois de que solicitaram que se registrassem como ONG, eles mudaram a linguagem usada nos critérios de associação, quando a Sociedade soube se retirou imediatamente. 

Interessante notar que apenas GOVERNOS podem efetivamente fazer parte das Nações Unidas, uma ONG, como o nome já diz é uma organização NÃO GOVERNAMENTAL, mas é claro que os inimigos das Testemunhas não percebem isso. 


Mas tudo isso só pra ter acesso a uma biblioteca? 

Nem todas as informações disponíveis na ONU estão também nas bibliotecas públicas, como dizem os opositores. Além de acessar a Biblioteca principal o cartão de registro possibilita ter acesso ao material de pesquisa das instalações bibliotecárias e a biblioteca estendida da ONU. O Sistema bibliotecário ao qual tem acesso as ONG´s registradas ao DIP, incluem bibliotecas de fotografias, áudio e vídeo do DIP, acesso ao Centro de Recursos das ONG´s que oferece documentos atuais da ONU, acesso a reuniões, seminários, conferencias, projeções e cursos de idiomas (veja http://www.un.org/spanish/aboutun/ONGs/brochure.htm)


Mas pra que ter acesso a essas informações da ONU? 

Entre outras coisas, devemos ter em conta que as Testemunhas de Jeová são constantemente objeto de violação da Carta da ONU sobre Direitos e Liberdade. De acordo com a Enciclopédia Americana, as Testemunhas de Jeová sofreram mais perseguição no século XX do que qualquer outro grupo religioso, com exceção dos judeus. 

Mas quando damos passos no sentido de proteger nossos membros, tais ações são satanizadas por aquele que nos odeiam e tratam de criar uma polêmica com esse assunto. 
ISSO É OUTRA FORMA DE PERSEGUIÇÃO!

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

As Testemunhas de Jeová Proíbem o Ensino Superior?

As Testemunhas de Jeová Proíbem o Ensino Superior?


Ao contrário do que muitos opositores das Testemunhas de Jeová possam dizer, o Corpo Governante não impõe a ninguém uma proibição quanto a decisão de cursar um curso superior.

Entre as Testemunhas de Jeová há trabalhadores dedicados e profissionais de todo o tipo, incluindo professores universitários, médicos e outros profissionais médicos, advogados e cientistas. Aqui é apenas um exemplo onde a educação universitária fazem parte da vida de muitos.


A Descaracterização da posição relativa à Educação das Testemunhas de Jeová

Opositores muitas vezes tentam descaracterizar a posição das Testemunhas de Jeová sobre este assunto. A organização não é contra a educação. Em vez disso, a cautela é colocado sobre o perigo da busca de riqueza e o lembrete de não perder o foco no nosso principal objetivo como ministros.

 01/10/96 A Sentinela: p. 30

"Não há dúvida de que a educação secular tem suas vantagens, mas a Bíblia dá muito mais valor à educação espiritual. E Deus deu aos pais a responsabilidade de instruir os filhos em sentido espiritual."


Veja também: A Sentinela 15/10/05 p. 4-7
AInda mais: A Sentinela 01/12/96 p. 17-19

Educação com um objetivo

       "Ao passo que a sociedade humana fica cada vez mais complexa, você talvez precise de mais educação escolar para poder conseguir um emprego adequado, a fim de se sustentar no serviço de pioneiro. Deve ter notado que mesmo alguns com educação universitária tiveram de receber instrução adicional para obter habilidades que são hoje valorizadas pelos empregadores. Portanto, quanta educação escolar procurará você obter, jovem, se quer agradar a Deus? A devida decisão deve ser tomada com a mente fixa na ordem inspirada: “Lembra-te, pois, do teu Grandioso Criador.”
      Naturalmente, procurará obter o que mesmo muitas autoridades seculares consideram ser a melhor educação — a conseguida pelo estudo cuidadoso da Palavra de Deus. O escritor alemão, Johann Wolfgang von Goethe, observou: “Quanto maior for o progresso intelectual de [um povo], mais será também possível usar a Bíblia, tanto como base como qual instrumento da educação.” Deveras, o estudo da Bíblia o equipará melhor para a vida do que qualquer outro tipo de educação! — Provérbios 2:6-17; 2 Timóteo 3:14-17.
          Visto que o conhecimento obtido de Deus é vitalizador, a obra mais importante que você pode fazer hoje é transmitir este conhecimento a outros. (Provérbios 3:13-18; João 4:34; 17:3) No entanto, para fazer isso com eficácia, você precisa de educação básica. Precisa ser capaz de pensar com clareza, de falar com lógica, e de ler e escrever bem — habilidades ensinadas na escola. Portanto, leve a sério sua instrução escolar, assim como fez Tracy, uma jovem na Flórida, EUA, que completou o segundo grau com mérito. Ela expressou sua esperança: “Sempre tive por alvo ser serva de meu Deus por tempo integral, e espero que minha educação me ajude a atingir este alvo.”
         Já pensou no motivo de você ir à escola? É primariamente a fim de se preparar para se tornar ministro eficaz de Jeová? Neste caso, desejará dar séria consideração a quão bem sua educação atinge este objetivo. Depois de consultar seus pais, talvez se decida que você deve receber instrução escolar além do mínimo exigido por lei. Esta educação adicional poderá ajudá-lo a conseguir um emprego para seu sustento e ainda assim deixar-lhe tempo e energia sobrando para participar plenamente na atividade do Reino. — Mateus 6:33.
          Alguns dos que buscam obter instrução suplementar se empenham no ministério de tempo integral mesmo enquanto recebem educação escolar adicional. Considere o caso de Nadia e Marina, duas adolescentes em Moscou, na Rússia. Ambas foram batizadas em abril de 1994 e começaram a servir como ministras pioneiras auxiliares. Pouco depois de completarem o segundo grau, matricularam-se num curso de contabilidade, de dois anos. Em maio de 1995, começaram a servir como pioneiras regulares, e ainda assim mantiveram em média a nota A nas suas aulas de contabilidade. Além disso, conseguiram dirigir, em conjunto, a média de 14 estudos bíblicos por semana, enquanto ainda iam à escola. Essas moças esperam que seu curso de contabilidade as habilite a encontrar um emprego adequado, para que possam sustentar-se no ministério de tempo integral.
         Se você procurar obter educação secular além da exigida por lei, é sábio que examine seus motivos para isso. É para conseguir boa reputação e obter riquezas materiais? (Jeremias 45:5; 1 Timóteo 6:17) Ou tem por objetivo usar a instrução suplementar com o fim de participar mais plenamente no serviço de Jeová? Lydia, uma jovem que escolheu obter mais educação, expressou um bom enfoque dos assuntos espirituais, explicando: “Outros procuram obter uma educação superior e deixam o materialismo atrapalhá-los, abandonando a Deus. Para mim, minha relação com Deus é a coisa mais importante.” Que atitude elogiável para todos nós termos!
        É digno de nota que os cristãos do primeiro século tinham uma ampla variedade de formações educativas. Por exemplo, os apóstolos Pedro e João foram considerados “indoutos e comuns”, por não terem sido instruídos nas escolas rabínicas. (Atos 4:13) O apóstolo Paulo, por outro lado, recebeu o que hoje seria uma educação universitária. No entanto, Paulo não usou esta educação para chamar atenção para si mesmo; antes, ela era de vantagem quando pregava a pessoas de diversas camadas sociais. (Atos 22:3; 1 Coríntios 9:19-23; Filipenses 1:7) De modo similar, Manaém, que “tinha sido educado com Herodes, o governante distrital”, estava entre os que tomavam a dianteira na congregação de Antioquia. — Atos 13:1."